Som da Liberdade: O que faz o filme ser tão polêmico?

O cinema, em sua essência, tem o poder de transcender a realidade, transportando-nos a mundos que desafiam nossas noções preexistentes. “Som da Liberdade” não é diferente, mas o que torna este filme um dos mais comentados do ano vai além do enredo.

Enredo e Produção: A trajetória inspirada em Tim Ballard

“Som da Liberdade”, dirigido e escrito por Alejandro Monteverde, conhecido por “Little Boy – Além do Impossível”, é uma adaptação cinematográfica baseada na vida de Tim Ballard, ex-agente especial do Departamento de Segurança Interna dos EUA. A trama segue Ballard, que, após prender um pedófilo envolvido em tráfico de crianças, decide deixar seu cargo oficial e embarcar em uma missão pessoal e arriscada para resgatar vítimas do tráfico humano.

As aventuras de Tim na tela grande, porém, enfrentaram diversos desafios para chegar ao público. Inicialmente financiado por um grupo mexicano misterioso em 2018, o filme foi posteriormente adquirido pela 20th Century Fox. Mas com a compra da Fox pela Disney em 2019, o filme ficou em um limbo. Graças ao produtor Eduardo Verástegui e à produtora cristã Angel Studios, o filme finalmente encontrou seu caminho para as telonas.

Controvérsias: O Real vs. Ficção

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Imagem: Paris Filmes | Edição: Minha Série Favorita

Embora a história seja apresentada como baseada em eventos reais, diversas controvérsias surgiram questionando a veracidade dos feitos de Ballard e da organização que ele fundou, a Operation Underground Railroad (OUR). A imprensa, incluindo a VICE World News, aponta inconsistências entre os relatos da OUR e os registros judiciais. Ballard, entretanto, defendeu a representação do filme, argumentando que certos aspectos foram, de fato, exagerados.

A controvérsia não se limita à autenticidade da história. Jim Caviezel, protagonista do filme e figura central em “A Paixão de Cristo”, tem sua imagem associada a teorias da conspiração, particularmente o QAnon. A teoria, que alega a existência de uma rede de tráfico sexual que conspirou contra Donald Trump, tem sido amplamente desacreditada. Tanto Ballard quanto a Angel Studios repudiaram qualquer afiliação com o QAnon. No entanto, a participação de Caviezel em uma conferência ligada ao QAnon trouxe mais lenha para o debate.

Sucesso Comercial e Polêmicas Adicionais

Produzido com um orçamento de cerca de R$ 70 milhões, “Som da Liberdade” surpreendeu ao faturar mais de R$ 1,2 bilhão mundialmente. No entanto, como no caso do filme brasileiro “Nada a Perder”, houve acusações de manipulação de números de público, com relatos de salas de cinema vazias. Adicionalmente, surgiu uma polêmica curiosa sobre a AMC, uma grande rede de cinemas nos EUA, alegadamente exibindo o filme com o ar-condicionado desligado.

“Som da Liberdade” é um exemplo vívido de como o cinema pode ser tanto uma forma de arte quanto um campo minado de controvérsias. O filme, que estreia no Brasil em 21 de setembro, convida o público a não apenas testemunhar uma história emocionante, mas também a questionar a realidade apresentada e as intenções por trás dela.

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