Netflix dá Adeus à Liberdade Criativa e Cheques em Branco aos Diretores

Lá se vão os dias de glória para os cineastas na Netflix. A plataforma de streaming, que antes oferecia liberdade criativa total e altos cachês para atrair grandes nomes, está mudando de rumo. Desde 1º de abril, a Netflix tem um novo chefe de filmes: Dan Lin. Com sua chegada, cortes começaram a ser feitos. Cerca de 15 pessoas do departamento de cinema foram demitidas, incluindo um vice-presidente e dois diretores. A reestruturação também mudou a organização por gênero, em vez de orçamento.

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Adeus Filmes Caros, Olá Diversidade

O foco agora é qualidade e variedade. A Netflix não quer mais ser conhecida apenas por filmes de ação blockbusters com estrelas renomadas. A meta é produzir filmes de diferentes gêneros e faixas de orçamento para atender aos gostos dos 260 milhões de assinantes.

Além disso, o modelo de pagamento baseado em cachês iniciais exorbitantes também vai acabar. A ideia é amarrar a remuneração de atores e diretores ao desempenho dos filmes na plataforma, similar ao sistema dos estúdios tradicionais.

Menos Dinheiro, Mais Controle

Essa nova era de austeridade na Netflix é, em parte, consequência da consolidação do seu próprio sucesso. A gigante do streaming não precisa mais gastar fortunas para atrair diretores renomados como Martin Scorsese, Alfonso Cuarón e Bradley Cooper. Afinal, alguns grandes estúdios estão permitindo que seus filmes sejam exibidos na Netflix pouco tempo depois dos cinemas, o que já traz mais conteúdo para atrair assinantes.

Além disso, a Netflix quer ter mais controle criativo sobre seus filmes. Com a nova estratégia, a ideia é que a própria equipe desenvolva mais projetos ao invés de esperar por propostas de produtores e agentes.

Nem Tudo São Flores

A nova direção da Netflix tem gerado insatisfação entre alguns produtores e agentes de Hollywood. Com orçamentos menores e a resistência da plataforma em relação às estreias no cinema, a Netflix já não é vista como a melhor opção para todos os projetos.

Alguns cineastas de peso que trabalharam com a Netflix migraram para outros estúdios em seus projetos seguintes. Exemplos incluem Martin Scorsese, que dirigiu “The Irishman” para a Netflix, mas levou seu novo filme, “Killers of the Flower Moon”, para a Apple TV+.

A Netflix também recusou recentemente os direitos de adaptação de um conto no qual Millie Bobby Brown, estrela de “Stranger Things” e “Enola Holmes”, estaria envolvida.

O Futuro da Netflix: Menos Gasto, Mais Estratégia

Apesar das críticas, muitos na comunidade criativa ainda torcem pelo sucesso da Netflix. Com a consolidação do mercado, a esperança é que a plataforma continue comprando filmes e se torne um porto seguro para produções que não seriam aprovadas pelos grandes estúdios, como comédias românticas e dramas de personagens de médio orçamento.

Uma coisa, porém, parece certa: a Netflix deixou para trás a era dos cheques em branco e abraçou uma nova estratégia focada em controle de qualidade, custos e diversidade de conteúdo.

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