Hollywood em Xeque: IA Ameaça Transformar o Cinema

Atores renomados como Ashton Kutcher estão apostando em uma nova onda tecnológica que promete revolucionar a indústria cinematográfica: a inteligência artificial (IA). Ferramentas como o Sora, desenvolvido pela OpenAI, possibilitam a criação de vídeos realistas a um custo baixíssimo, gerando animação e questionamentos sobre o futuro de Hollywood.

Kutcher, conhecido por seu papel na série “That ’70s Show”, experimentou a versão beta do Sora e ficou impressionado. “É possível gerar qualquer tipo de gravação. Dá para criar vídeos de 10, 15 segundos com aparência bem real”, disse o ator durante uma conversa com o ex-CEO do Google, Eric Schmidt.

Apesar de ainda cometer erros, principalmente relacionados à física, a evolução do Sora é notável. “Comparando o que tínhamos há um ano atrás, o salto é gigantesco. Tem cenas que eu diria que poderiam ser facilmente usadas em grandes filmes ou séries”, afirmou Kutcher.

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IA: Rapidez e baixo custo

Além do realismo, o grande trunfo do Sora está na redução drástica de custos:

“Por que filmar uma cena externa de uma casa numa série de TV se você pode criá-la por US$ 100? Uma filmagem real custaria milhares de dólares”, exemplificou o ator. A ferramenta também abre portas para sequências de ação complexas: “Não precisa ter um dublê para uma cena de salto de um prédio. Você pode simplesmente fazer [com IA]”, completou.

Kutcher cita a criação de um vídeo em cinco minutos como exemplo:

“Peguei o Sora e pedi para mostrar um corredor de ultramaratona atravessando o deserto, sendo perseguido por uma tempestade de areia. O resultado ficou exatamente como imaginei, e sem precisar de uma equipe de computação gráfica”.

O futuro vislumbrado por Kutcher é ainda mais audacioso. Com o surgimento de processadores cada vez mais potentes, como o novo chip da Nvidia, capaz de oferecer 30 vezes mais desempenho do que os softwares atuais, a criação de conteúdo por IA deve se tornar exponencial.

“Imagine poder renderizar um filme inteiro. Você teria apenas a ideia, o Sora escreveria o roteiro, você alimentaria o gerador de vídeo com o roteiro e pronto, teria o filme completo”, disse Kutcher. Essa possibilidade levanta questões sobre a saturação do mercado e a superação da curadoria humana. ” Haverá mais conteúdo do que olhos disponíveis para consumi-lo. O valor de uma obra estará diretamente ligado à sua capacidade de atrair espectadores. O padrão de qualidade vai precisar subir muito, afinal, por que assistir ao meu filme se você pode ter o seu próprio?”, questionou o ator.

Hollywood vê IA como uma ameaça

A chegada do Sora pegou Hollywood de surpresa. A divulgação de cenas de demonstração pela OpenAI em fevereiro causou agitação na indústria. Nem todos estão otimistas. Tyler Perry, diretor e roteirista, suspendeu um projeto de expansão de seu estúdio em Atlanta avaliado em US$ 800 milhões após conhecer o potencial da ferramenta.

“Precisamos de algum tipo de regulamentação para nos proteger”, disse Perry em entrevista ao The Hollywood Reporter. “Do contrário, não sei como vamos sobreviver”.

A apreensão de Perry reflete o receio de uma parcela da indústria quanto ao impacto da IA no mercado de trabalho. “Espero que, ao abraçar essa tecnologia, as empresas que buscam reduzir custos também tenham compaixão pela humanidade e pelas pessoas que construíram carreiras e vidas nesse setor”, concluiu o diretor.

Resta saber se essas mudanças serão benéficas ou trarão consequências negativas para a produção cinematográfica tradicional.

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