Greve dos atores: sindicato permite produção de 39 projetos

Em meio à greve dos atores, o sindicato SAG-AFTRA aprovou a permissão para que 39 projetos diferentes possam seguir com produção. De acordo com a Variety, a decisão envolve produtoras independentes que não têm ligação com a AMPTP.

A lista de exceções inclui dois projetos da A24, produtora independente de filmes e séries, ‘Mother Mary’, estrelado por Anne Hathaway e Michaela Coel, e ‘Death of a Unicorn’, estrelado por Paul Rudd e Jenna Ortega. Ambos devem começar as gravações ainda em 2023.

Em suma, a greve dos atores começou de forma oficial no dia 13 de julho deste ano. De acordo com a Variety, a última rodada de negociações entre o sindicato dos atores de Hollywood (SAG-AFTRA) e os representantes dos grandes estúdios (AMPTP) terminou sem acordo.

Além disso, o contrato entre as entidades também chegou ao fim durante a madrugada do dia 13. Em comunicado oficial, representantes da SAG e da AMPTP entraram em conflito após as negociações não avançarem. A presidente do sindicato dos atores, Fran Drescher, explicou que a resposta dos estúdios foi “insultante e desrespeitosa”. Assim, o sindicato deixou o caminho aberto para começar a greve dos atores.

Do outro lado, a AMPTP elencou as propostas da negociação. A instituição declarou como grande decepção a decisão da SAG em avançar em direção à greve. “O sindicato rejeitou as propostas históricas que trouxemos para a mesa“, escreveu a entidade.

Entenda a greve dos atores

Os atores reivindicam pagamentos melhores para encerrar a greve. De acordo com a BBC, a classe quase não recebe sobre os lucros obtidos pelos serviço de streaming. Mesmo após a explosão de consumo que as plataformas obtiveram na última década.

Representantes da SAG argumentam que executivos ganham salários cada vez mais exorbitantes. Enquanto isso, os atores deixaram de arrecadar em situações que antes eram comuns. Por exemplo, os artistas recebiam sempre que determinado conteúdo reprisasse na televisão aberta. A dinâmica permitia que os atores obtivessem ganhos mesmo em períodos sem trabalho.

Com a evolução do streaming, no entanto, a lógica mudou. Conteúdos ficaram disponíveis de forma integral ao público. E a remuneração dos atores não acompanhou o processo. Conforme a BBC, os profissionais quase não recebem mais quando alguém assiste ao seu trabalho.

Ainda não há como mensurar o impacto de uma greve dos atores. Até agora, a paralisação dos roteiristas causou inúmeros atrasos em séries e filmes. Programas como Stranger Things, The Last of Us, Billions, entre outros, já interromperam a produção. Os streamings podem cobrir a falta de projetos ao longo de 2023.

Contudo, a perspectiva é de que todos os conteúdos a partir de 2024 ganhem novas datas. Boa parte, inclusive, pode ser cancelado. Caso ambas as partes não se resolvam o mais rápido possível, a greve dos atores pode causar um efeito cascata para os próximos anos do cinema e da televisão.

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