Alice Marcone: a pluralidade da atriz da série “De Volta aos 15” da Netflix

Conheça um pouco da história da artista que utiliza diferentes artes como instrumento de reflexão sobre a causa LGBTQIAP+.

Prestes a completar 27 anos, Alice Marcone ganhou evidência ao ser a primeira mulher trans a cantar sertanejo no Brasil. Uma das representantes do queernejo – movimento desenvolvido por artistas LGBTQIAP+ para ampliar as possibilidades dentro do cenário musical – a artista tem uma identificação pessoal com o gênero musical devido sua origem.

Nascida em Valinhos, interior de São Paulo, Alice se mudou ainda criança para Serra Negra, onde viveu na zona rural até os 17 anos. A relação com o campo, a cultura do interior e a influência do pai, consumidor assíduo da música sertaneja, foi o pontapé inicial para anos depois se lançar nesse universo. Em 2020, lançou o seu primeiro single, “Noite Quente” e ainda no mesmo ano formou uma parceria com Gabeu e promoveram a música “Pistoleira”.

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Um currículo vasto e plural

Em suma, além de cantora e compositora, Alice também é atriz, apresentadora de TV e roteirista. Nas telas, ela integra a equipe de roteiro de projetos como as séries “De Volta aos 15”, da Netflix, e “Manhãs de Setembro”, da Amazon Prime Video, que tem como protagonista a cantora Liniker.

Além disso, a carreira de roteirista começou após realizar um teste para protagonizar um filme que acabou não saindo da gaveta. Lá conheceu Daniel Ribeiro, diretor do longa “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, que a convidou para ser consultora de roteiro da série “Todxs Nós”, da HBO. Também fez parte do elenco da série de terror “Noturnos”, do Canal Brasil.

Quem é Alice em “De Volta aos 15”?

Lançada em fevereiro, pela Netflix, a série teen é dividida em duas fases. E conta a história de Anita (interpretada por Maisa na fase da adolescência e por Camila Queiroz quando adulta). Aos 30 anos, Anita tem a chance de voltar ao passado e reviver situações.

Em suma, Alice vive Camila, a melhor amiga da protagonista, que num primeiro momento é César, um homem cisgênero interpretado por Pedro Vinícius, atriz não-binária nascida em João Pessoa, Paraíba. Pedro, que prefere ser chamada pelo pronome feminino, ficou conhecida pelo papel de Michael em ‘Malhação: Vidas Brasileiras’, de 2018.

Além disso, a atriz é responsável pela criação da personagem. Em entrevistas, a atriz já falou sobre a importância de usar espaços como esses para mostrar que, independente da identidade de gênero, o que importa é gerar empatia e emoção em diferentes públicos.

História real que inspira as histórias nas telas

Assim como a trajetória de muitas pessoas trans, a de Alice também conta com episódios tristes e revoltantes. Enquanto menino gay, sofreu preconceito, principalmente após seu primeiro beijo ser exposto nas redes sociais. O bullying se tornou insustentável, ao ponto de ser amarrada em uma cadeira para ser espancada.

Ademais, nesse fatídico dia seus pais descobriram sua sexualidade e não encararam muito bem de início. Seu pai disse que aceitaria um filho homossexual, contanto que não fosse efeminado. Até o último dia na escola escondeu seu lado feminino e somente aos 20 anos passou a se enxergar como mulher. Por fim, atualmente seus pais atuam ao seu lado como militantes da causa trans.

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